A família morreu?

O mês de maio é um mês em que muitas igrejas celebram a família. Mensagens, cultos e congressos enfatizam a importância desta instituição e lutam para que ela permaneça firme no Senhor, vencendo assim todos os ataques do inimigo contra ela. Sabemos que, realmente, não há nada que nos traga mais segurança do que a família. Por mais que tenhamos muitos amigos e conhecidos espalhados em ambientes como nossos empregos, escolas, faculdades e até mesmo dentro da igreja, nada substitui a família, aqueles que estão conosco todos os dias e, até mesmo, aqueles que não possuem laços de sangue, mas são mais chegados que irmãos. E é justamente por tamanha importância que a família tem sido alvo de constantes ataques das trevas, todos os dias. Afinal de contas, o inimigo sabe que destruindo a família ele é capaz de destruir toda uma sociedade, e este é o seu objetivo. Embora estas sejam verdades conhecidas, não é exatamente sobre a instituição familiar que eu pretendo discorrer aqui. Quero, sim, pensar com você sobre um dos maiores atributos que a família pode nos oferecer: o relacionamento e o senso de pertencimento.

No ano passado, tive a oportunidade de assistir um documentário chamado “Edifício Master”, que mostra depoimentos de moradores de um prédio em Copacabana. Um dos depoimentos é da jovem Daniela, auto-intitulada como neurótica, depressiva e sociofóbica. Se desejar, procure e assista seu depoimento no Youtube. Daniela é um exemplo extremo de solidão e dificuldades de relacionamento. Deixando de lado as razões que justificam o jeito de ser de Daniela, é importante pensar que muitos de nossos jovens (e não apenas jovens) têm vivido assim: sozinhos, mesmo cercados por uma multidão.

Dentro do seio familiar, é comum vermos pais que não se relacionam bem com seus filhos, filhos que não se relacionam bem com seus pais. Irmãos que se dividiram e não se falam mais. Casais que vivem vidas distintas, mesmo debaixo do mesmo teto. No trabalho e na faculdade, não é difícil sermos tratados como números e estatísticas, muitas vezes descartáveis. Por fim, infelizmente encontramos o mesmo dentro de nossas próprias igrejas. Pessoas que vem e vão e não encontram na ‘família de Deus’ relacionamentos saudáveis e duradouros que fortaleçam suas vidas. Anônimos os quais não sabemos seus nomes, onde moram, como vivem, o que fazem, o que pensam. Lembro-me de quando cheguei na PIB de Moça Bonita e a dificuldade que tive em fazer amizades. Foram quatro anos sem amigos, sem vínculo algum com pessoas da minha idade. Um dia, em um momento de oração, lembro-me de ter ajoelhado e, chorando, pedido a Deus por um amigo, apenas um. Não suportava mais viver sozinho, ir à igreja e não encontrar ninguém com quem eu pudesse compartilhar a minha vida e vice-versa. Acho que Deus respondeu minha oração, rs.

O fato é que realmente a solidão destrói qualquer ser humano, pois, uma vez criados à imagem e semelhança de Deus, fomos criados para ter relacionamento. O próprio Deus em sua essência é um ser relacional. Pra começar, nosso Deus é um Deus trino (e não uno). Pense na trindade. Ela é constituída de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. São três em um! Pude perceber essa realidade de uma maneira muito mais clara depois que li o livro “A Cabana” que, embora seja um livro de ficção, mostrou de maneira lúdica a essência da trindade. Se Deus é assim, nós somos assim também! A Bíblia fala que Deus passeava pelo Éden todas as tardes e ali passava tempo com o homem. Foi o próprio Deus que também afirmou: “não é bom que o homem viva só” (Gênesis 2.18) e então constitui a família. Poderíamos ficar horas e horas pontuando evidências claras de que Deus não nos criou para ficarmos sozinhos, isolados, separados, desamparados. Qualquer ser humano que viva assim, está vivendo fora dos propósitos pelos quais foi gerado.

Talvez você esteja carregando feridas tão profundas por falta de relacionamentos saudáveis ou talvez por não se sentir aceito como você é. A ausência de um senso de pertencimento tem causado instabilidade nas suas emoções e essa insegurança tem alargado ainda mais as feridas da sua alma. Ou talvez você seja uma pessoa que tenha muitas pessoas à sua volta, mas quem sabe esteja depositando nelas suas maiores expectativas e, por isso, esteja se frustrando a cada dia se sentindo sozinho e incompleto. Sabe, na vida muitas vezes vão nos faltar as pessoas. Por mais que sejamos seres que necessitam de relacionamentos, por muitas vezes as pessoas não vão suprir nossas carências e necessidades. Ter família é bom, amigos também, mas se nossos relacionamentos não estiverem firmados no relacionamento mais importante que precisamos ter – que é com Deus – todo o restante está sujeito a desmoronar com muita facilidade.

O maior pai que podemos ter é o Pai do céu, é o nosso Deus. É Ele que afirma nossa identidade e nos diz quem somos. É dEle que podemos ouvir como Jesus ouviu em seu batismo “Este é meu filho amado em quem eu me alegro!”. Perceba que poucos momentos depois do batismo Jesus foi para o deserto e ali Satanás o tentou questionando sempre “Se tu és o filho de Deus…”. Se Jesus não tivesse comunhão plena com Deus, Ele poderia ter dúvidas sobre quem Ele realmente era, caindo assim nas lábias de Satanás tentando provar sua identidade. Mas Jesus sabia quem Ele era, Ele já tinha ouvido da boca do Pai, por isso não precisava provar nada para ninguém. Ele era filho amado. E você, quem é você? Será que você tem dado ouvidos para palavras e pensamentos que te põem pra baixo? Será que você já ouviu o que o Pai pensa a seu respeito?

Quem sabe você esteja pensando: “eu até gostaria de me relacionar com as pessoas, mas elas não me enxergam, elas se esquecem de mim”. Talvez a sua solidão seja, inclusive, fruto de uma rejeição lá no passado, quem sabe quando ainda criança. Talvez uma gravidez indesejada, um abuso, uma rejeição do seu pai, ou até mesmo da sua mãe. Sabe, Deus tem uma palavra pra você. “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho de seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” Isaías 49.15. Se todos te abandonarem, creia: Deus jamais te abandonará! Deus é aquele que faz o órfão habitar em família. Você não está sozinho! Troque hoje mesmo a rejeição pelo acolhimento do Senhor. Quando descobrimos quem somos para o nosso Pai, conseguimos transbordar desse amor para quem está à nossa volta e os relacionamentos saudáveis e duradouros se tornam uma conseqüência.

Não viva sozinho. Seja adotado pelo Senhor hoje mesmo e prepare-se para receber pessoas especiais em sua vida, pessoas que o próprio Deus colocará em seu caminho para te abençoar. Ele ouviu a minha oração e pode ouvir a sua também.

Thiago Pires (thiagospires@gmail.com)

Congresso da Família – PIB de Moça Bonita

A partir deste sábado, às 15h com palestra especial para os jovens: “Por que é tão difícil assumir responsabilidades?”, com o Pr. Gustavo Legal. Venha, participe e envolva-se. Deus quer abençoar a sua vida e a sua família. Preletor Oficial do Congresso: Ebenézer Bittencourt (Instituto Haggai Brasil). Entrada franca.

Anúncios

~ por ministerioentrejovens em maio 12, 2010.

2 Respostas to “A família morreu?”

  1. Thiago só vc para postar no seu aniversário! rsrs
    Mas quero deixar meu depoimento aqui tb.
    Por muitos anos me senti sozinha pq quando criança me mudei muito com minha mãe e não consegui firmar amizades duradouras. Depois eu sempre fazia amizades onde eu sempre que “ajudava” e pouco era “ajudada”. Até reconheci que é dom de Deus em minha vida. Mas como vc orei um dia chorando pedindo amigos e disse para Deus que ainda queria sua amizade, mas que precisava de alguém para falar. Na verdade até hoje me sinto sozinha em muitos momentos, mas Deus tem me proporcionado muitas alegrias através de algumas pessoas. Muitas vezes com palavras, abraços e sorrisos. Percebi tb que às vezes Deus quer tratar conosco pessoalmente e sozinhos. rsrs Jesus mesmo em seus piores momentos esteve sozinho. Mas mesmo de longe e até mesmo pelos olhares de sua mãe e discipúlos amigos pôde ser confortado.
    Considero que Deus quer tratar conosco a todo momento, mas muitas vezes por ansiedade nos perdemos no seu querer.
    Pararei por aqui senão vai virar um post, mas creio que Deus sabe todas as coisas e até nas mínimas coisas trata conosco.
    A paz de Deus para todos,
    Patrícia.

  2. Eu também orei assim,e como vc, Deus tmb me ouviu…=) Eu me sentia muito sozinha, precisava de amigAs,pois me sentia mto excluida do convívio delas, e hj sou grata a Deus por ter as mandado pra minha vida na hora certa…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: